"(...) De um lado, as narrativas do sagrado insistem que devemos admirar gente como Buda e como Jesus, e nos dizem: desapegue-se, meu caro. Deixe de correr atrás do vento. Deixe de derramar ansiedade sobre si mesmo e sobre os outros. Não seja idiota de ajuntar riquezas inconstantes onde tudo se perde. Conquiste o seu coração. Respeite o próximo e o ambiente. Ame. Reduza, e será grande. Recolha-se, e estará no centro. Sirva, e será maior do que todos. Recue, e verá a paisagem que todos perdem. Seja gentil. A notícia da graça é a gratuidade de todas as coisas. Rico é quem não precisa de nada.
Do outro lado, as narrativas da sociedade de consumo querem que admiremos os grandes e bem-sucedidos, e nos dizem: tome posse, meu caro. Corra atrás de resultados. Crise é oportunidade, canalize em produtividade essa insatisfação. Acumule, e será finalmente livre para desfrutar. Conquiste o mundo, e seu coração encontrará a paz. Faça alianças sinergéticas e aposte todas as suas fichas. Consuma. Pense grande, e será grande. Cada palmo que você pisar será seu. Seja servido, e sua grandeza será evidente. Um dia tudo isso será seu. Seja implacável. Todo aquele que invocar o nome da performance será salvo. Rico é quem tem tudo.
Diga-me quem você admira, e saberei quanto você é admirável."
Por Paulo B.
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